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A
um espectador não conhecedor, o estilo de Karaté
praticado por este ou por aquele clube dá a sensação de
não fazer diferença nem apresentar uma especial
particularidade. Porém, para os praticantes dos diversos
estilos, as diferenças de concepção de técnica e mesmo
das bases fundamentais, são bem distintas e muitas
vezes, infelizmente, irredutíveis. Cada um julga estar
na posse da verdadeira ciência e do verdadeiro segredo,
caminhando, pois, na via do Karaté que considera melhor.
Esses pontos de vista assemelham-se muitas vezes ao
fanatismo das religiões e desembocam, como essas
religiões, no mesmo fim. Há uma grande multiplicidade de
"escolas" com diferentes estilos de Karaté. No Japão
podemos contar 15 ou 20 diferentes. Estas serão as mais
válidas pois estão mais codificadas, estabelecendo o
programa de ensino através dos Katas e indicando ainda
os Katas necessários a uma progressão de graduação.
Dessas escolas, só falarei das cinco mais importantes e
conhecidas na Europa.
O
Shotokan – J.K.A
O
lema do estilo Shotokan, o mais codificado e
directamente ensinado e estabelecido pelo mestre Gichin
Funakoshi e seu filho Yoshitaka Funakoshi, é "força,
velocidade e endurance". No entanto, em princípio, é uma
técnica baseada no trabalho a longa distância e em
contracção de movimento. Os Katas oficiais são os
Taykyokus, Heians, Tekkis, Kankus e Bassai, hoje
editados minuciosamente em magníficos volumes por
Masatoshi Nakayama, chefe instrutor da Japan Karaté
Association. Contudo, mesmo no seio do Shotokan, existe
ainda nova cisão baseada no ensino dos mestres Egami e
Harada, Oshima e Murakami, que dirigem a Escola Shotokai.
É um estilo muito fechado, que se detém, sobretudo,
sobre o aspecto mental do Karaté. O Shotokan é o estilo
mais difundido na Europa (agrupando cerca de 70 por
cento de efectivos do Karaté no exterior do Japão)
talvez por ser a técnica mais racionalizada e com um
programa didáctico mais definido, mais sóbrio e
clássico.
O
Kiokushinkai
Não poderia deixar de citar o estilo Kiokushinkai, do
Mestre Masutatsu Oyama. Oposto ao Shotokan, tem de
espectacular o que o o Shotokan e o Shotokai possuem de
sobriedade. Os volumes do Mestre Oyama estão recheados
de proezas fantásticas em testes de quebra (Swiwari). Os
Katas são mais complicados e pouco conhecidos na Europa:
Osurhiho, Seienchin, Garyu, etc.. A guarda de combate é
estabelecida a partir de Neko-Ashi-Dachi, posição que
define praticamente a particularidade do estilo
Kiokushinkai. Este método é praticado em todo o mundo e
bastante difundido na América, onde mestre Oyama
efectuou um tournée que deixou todo o público abismado
com tal potência.
O
Goju-Ryu
Esta técnica é a tendência de estilo do velho Mestre
Higaonna. Este verdadeiro gigante, de forças hercúlea,
era partidário dos bloqueios estáticos, para dai poder
efectuar o contra-ataque em contracção máxima. Daí
resulta uma série de movimentos e posições mais altas e
de pouca amplitude, mas de tremendo poder. Os Katas
desta escola são : Sanchin, Tensho, Sanseru, Suparinpei
, etc.. Este estilo é muito eficaz no combate próximo. O
lema deste estilo é: "Á força opõe-se ao souplesse". O
mestre actual é o Mestre Morio Higaonna, 9º Dan. Também
deste estilo o mestre Gogen Yamaguchi, mais conhecido
por "gato", que numa idade avançada mantinha uma forma
excepcional dirigindo a Escola Associação Goju-Kai (sub
estilo do estilo Goju-Ryu e praticamente desconhecido na
europa), com cerca de 6000 participantes. O mestre Gogen
Yamaguchi faleceu em 1989 com 70 anos de idade. Uma das
especialidades desta Escola é a execução dos Katas com
uma respiração ventral sonora. Este estilo foi fundado
no Japão por Chojun Miyagi e é praticado actualmente no
Japão e na América. Gogen Yamaguchi, personagem e
síntese do Zen-Karaté, 10.º Dan e patriarca do Goju-Kyu,
é, com efeito, uma das figuras vivas que atestam o
Karaté com forma quase sobrenatural. Sobrepõe-se, por
isso, às querelas sobre a diferença dos estilos, tão
apanágio nos graus mais baixas da Europa. Diz-se de
Mestre Yamaguchi que o "seu olhar é tão penetrante corno
um tigre", e o seu "poder semelhante ao de um leão". De
facto, a impressão do contacto com um karateca que
atingiu o fim do caminho, ou mesmo com os seus
discípulos, deve ser única, pois contactar com mestres
cuja evolução em "completa visão", "completa
compreensão", "completa acção", "completa vocação",
*completa aplicação", (as verdades do Zen), é receber
deles os meios de atingir o "completo acordar", o fim do
Karate-Zen, o "sayori".
O
Wado-Ryu
Este estilo é a concepção do Karaté inteiramente
japonesa, criada depois da guerra pelo japonês Hironari
Otsuka. Este aprendeu o Karaté de Funakoshi,
separando-se depois deste para ensinar o seu estilo de
Karaté. Este estilo, baseado particularmente sobre as
posições altas e de técnicas na maioria baseadas sobre a
esquiva, tem como Katas fundamentais de ensino os Pin-An,
Kushaku, Seishan, etc.. Os Katas Pin-An, diferem
relativamente pouco dos Heians, podendo considerar-se os
Katas Heians, como diferenças de interpretação. O
sistema de treino é menos penoso que o Shotokan, não
existindo a concentração de potência e sendo os
movimentos menos sincopados. Este tipo de Karaté é
representado na França pelo Mestre Mochizuki,
conselheiro técnico da Federação Francesa de Karaté, e
em Inglaterra pelo Professor Suzuki, autor do livro "Karate-Do
Wado-Ryu".
O
Shito-Ryu e as escolas Coreanas e Chinesas
A
técnica representada em França por Nambu, foi inventada
e codificada pelo Mestre Kenwa Mabuni. É a técnica de
competição ideal, visando sobretudo o combate directo
contra um único adversário (em contraste com o ideal do
Karaté, que é combater um número de adversários sem
limite), Possui interessantes Katas, que são também
estudados na Escola Shotokan: os Shozuki, Saipa, Saifa,
Kosoku, etc..
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