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As Civilizações Antigas e a Origem das Artes de Luta
Muito se tem
questionado sobre a origem do karaté, contudo não existe
uma data precisa para tal origem.
Sabe-se no entanto, que o acto de defesa é instintivo em
todo e qualquer ser vivo, e como consequência é
perfeitamente natural crer que a tendência em combinar
movimentos de defesa é um processo que iniciou com o
começo da humanidade. Assim, apareceu uma tradição de
artes de luta similares ao karaté entre pessoas de
diferentes civilizações, mais concretamente nas antigas
civilizações da Ásia Central, Egipto e Turquia.
Esta arte foi introduzida na Índia através do
intercâmbio cultural existente entre este país e a
Turquia. No entanto, é relevante mencionar que as artes
de luta introduzidas na Índia eram bastante
rudimentares, sendo estas posteriormente desenvolvidas
na Índia e China.
Acredita-se que na Índia, técnicas de combate sem armas
eram usadas pelos guerreiros nas lutas tribais, muito
antes do nascimento do budismo, aparecendo no Sul da
Índia uma forma de arte marcial conhecida como
Kalaripayt (artes marciais índias). A importância desta
arte parece estar na origem da arte marcial nativa de
Okinawa conhecida como Te (mão).
Esta arte (Te) tem mais de mil anos de história,
existindo a teoria que a arte Kalaripayt foi estudada e
introduzida em Okinawa por marinheiros que viajavam no
Sul da Índia para comercializar. Acredita-se que a arte
do Te (arte de Okinawa) se uniu posteriormente com a
arte chinesa do Kempo (técnicas com mãos vazias) e que
gradualmente se desenvolveu até adoptar a forma do
Karaté.
O Início da Arte Chinesa do Kempo
Cerca de 520 A.C.,
Bodhidharma, um conhecido monge budista Zen chega à
província de Henan, nas montanhas chinesas de Songshan,
para ensinar budismo. Na Chinajá praticavam-se diversos
tipos de artes marciais antes da chegada de Bodhidharma.
Existe uma teoria que revela, que durante o reinado do
imperador Hua'ng, apareceu a primeira arte de luta
similar ao Kempo, e que durante a dinastia de Chou se
estabeleceram os princípios e técnicas do Kempo tendo
sido desenvolvidos na dinastia de Sui.
Bodhidharma passou 9 anos em meditação no templo Shao
Lin, nas montanhas chinesas de Songshan. Durante este
tempo, Bodhidharma estabeleceu métodos de fortalecimento
da mente e do corpo para os monges do templo. Apresentou
um série de exercícios físicos consistentes em 18 katas,
denominadas em japonês Ekkinkyu e Senzuikyu. Na Ekkinkyu,
Bodhidharma apresenta um série de exercícios e técnicas
de respiração para desenvolver o próprio corpo a
resistir a longas horas de meditação e a outras formas
duras de treino. Na Senzuikyu, Bodhidharma explicava aos
monges como desenvolver a sua força mental e espiritual.
Estas instruções são respeitadas como os princípios
fundamentais do Karaté actual. Estes métodos
proporcionaram o desenvolvimento do Kempo chinês.
A Introdução da Arte de Luta em Okinawa
A arte de Te (arte de
Okinawa) era praticada secretamente pelas pessoas de
Okinawa muito antes da introdução do Kempo chinês nesta
ilha. Quando o Kempo chinês foi introduzido em Okinawa,
foi adoptado como uma forma de combate sem armas pelos
habitantes de Okinawa como uma medida de defesa e não
como um exercício para a saúde.
A proibição de armas pelo rei Sho Shin em finais do
século XV permitiu um acréscimo de interesse pelas
técnicas de luta sem armas.
Muitos mestres de Karaté que têm estudado a história das
artes marciais asiáticas crêem que a arte do Te, nativa
de Okinawa, combinada com a arte do Kempo chinês deu
origem ao Kartaté.
Em Okinawa, o Karaté não é praticado por desporto, nem
como um exercício para a saúde. Os habitantes desta ilha
consideram que o Karaté é uma tarefa para toda a vida
que deve ser praticada para treinar o corpo e a mente.
Em Okinawa, os praticantes de karaté passam largas horas
a treinar repetidamente as katas básicas como uma forma
de treino espiritual.
A história de Okinawa
Em 1340, Okinawa, que
estava dividida em três reinos, entrou numa relação
tributária com a China. O rei Satto, enviou o seu irmão,
Taiki, à China com tributos para o imperador chinês.
Este foi o começo de uma longa relação entre Okinawa e
China, que durou mais de quinhentos anos.
O imperador chinês sentindo-se satisfeito em favorecer
uma boa relação com Okinawa, enviou de dois em dois
anos, delegações com presentes, as quais foram recebidas
com grande entusiasmo na residência do rei no castelo de
Shuri.
Entre os delegados, haviam muitos mestre de kempo chinês
entre outros. Durante a sua estadia em Shuri e Naha, os
mestres de kempo chinês ensinaram a sua arte à nobreza
de Okinawa assim como a outras classes sociais.
A dinastia Ryukyu, enviou barcos em cada dois anos com
delegações de nobres para a China, com preciosos
tributos para o imperador chinês. Para proteger estas
ofertas dos piratas e saqueadores, tanto a tripulação
como os delegados estavam bem armados e treinados nas
técnicas de combate. Alguns nobres de entre os delegados
de Okinawa, permaneceram na China durante algum tempo,
inscrevendo-se inclusive em escolas para aí estudar
kempo chinês. Naquele tempo, o rei de Okinawa
estabeleceu uma colónia para alojar os seus sub ditos
que fossem para aí estudar.
Consequentemente, durante a era do rei Satto, o kempo
chinês foi introduzido rapidamente em Okinawa pelos
próprios chineses e também pelos habitantes que
estudavam a arte na China.
A proibição das armas
Foi em 1477, no
estabelecimento de uma nova dinastia Sho, que o rei Sho
Shin, proibiu o uso de espadas e mandou confiscar todas
as armas. Exigiu que todos os membros da nobreza e suas
famílias, fossem viver para a capital real.
Depois de o rei Sho Shin ter desarmado o seu povo, como
consequência, começaram a surgir escolas de combate. Uma
delas, conhecida como a arte de "te" foi desenvolvida e
praticada pelos membros da nobreza. A outra foi
conhecida como Ryuku kobudo. Esta última, desenvolvida e
praticada por agricultores e pescadores, incorporou o
uso de simples ferramentas de pesca e agricultura, como
armas eficazes. O treino das técnicas de combate com e
sem armas faziam-se no mais absoluto segredo e em
lugares remotos depois de anoitecer.
O estabelecimento do Naha-te
Durante a primeira
metade do século XIX, os nomes dos vários estilos de
karaté, foram alterados. Os estilos conhecidos, como
Shuri-te e Tomari-te deram origem ao nome Shorin-Ryu. O
estilo Naha-te foi posteriormente conhecido como
Goju-Ryu. Este nome, Goju, foi criado pelo fundador do
Goju-Ryu, o Sensei Chojun Miyagi em 1931.
Em 1933, a arte do karaté de Okinawa foi reconhecido
como uma arte marcial pelo Comité de Artes Marciais
Japonesas com "Butoku Kai". Até 1935, "karaté"
escrevia-se como "mão da china". Porém em 1935, os
mestres dos diversos estilos de karaté de Okinawa,
reuniram-se com o objectivo de decidir um novo nome para
a sua arte. Decidiram chamar-lhe "karaté" (arte de
defesa com as mãos vazias).
Posteriormente, a partir de um estilo desenvolveram-se
outros. O Shorin-Ryu diferenciou-se em vários estilos
ligeiramente diferentes. Porém, o Goju-Ryu, continuou
praticamente unificado.
As quatro principais escolas de karaté de Okinawa

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